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INÍCIO >> POESIAS CÓSMICAS >> CONJUNÇÃO PARA CRISTINA
Conjunção para Cristina
Estava muito escuro, quando eu te encontrei pela primeira vez na minha trajetória...
Lembro, há 400 anos, apenas das Luzes das Estrelas ofuscantes e do rastro luminosos dos planetas em tenra harmonia.
Era uma espécie de festa repentina, em meio às trevas medievais, quando magos e bruxos condenados teimavam em reverenciar uma conjunção planetária, uma desconhecida magia

Eu era um cavaleiro andante...
Infante de terras que ninguém conquistou,
E foi assim... que cruzei, nas cruzadas de Ricardo Coração de Leão, em nome de Arthur, em nome do rei...
O meu olhar ao teu, pela primeira vez.

Naquela época remota, não servia aos poderosos, tampouco aos inquisitivos reis.
Só sei que já sabia, como bicho do mato, no puro instinto, de um longínquo alinhamento...
Na verdade, orbitava na minha mente, buquês de flores astrais, aneis de cristais e idas e vindas conjunções, no amigo e empírico pensamento.

E de repente, sozinho, na curvilínea estrada, vindo do nada,
senti novamente, tua presença cósmica, teu olhar esmeralda, emanando de um canto perdido de um sombrio castelo.
Dizem bufões e bêbados bardos que tudo foi mero encanto,
mas ainda guardo o canto celestial daquele instante...
Eu, pobre cavaleiro prateado, fui nimbo da alquimia,
transformado, da noite para o dia, exatamente à meia-noite, no ápice do alinhamento, em abençoado viajante sideral

E agora, 5 de maio de 2000, já se passaram tantas Luas, tantas gerações, tanto tempo, de rosas azuis e brancas e infindas canções ao relento..
Que ao vento, percebi da grandeza de UM Quinto Elemento...
Nós nunca ficamos juntos em toda a caminhada
Não houve aproximação e consumação no chamado corpo físico...

Vivenciei sim, uma Era de poesia, de bayronismo, de poetas e loucos parnasianos,
onde feneci muitas vezes e ardi em febre entre letras mortas
Em meio ao tétrico velório dos meus versos,
Dobrei os joelhos e fechei os olhos, sentindo as dores da derrota e incontáveis reversos.
Agônico me vi, eu velho menino, tolo destino.
Irônico distino.

Nunca estivemos juntos na Terra, em Marte, em Júpiter, Em Saturno, Em Plutão, Em Vênus ou em Netuno...
Mas, permaneci, ao longo de séculos e séculos , de setenários e setenários, te amando em divino silêncio tumular...
Amor platônico, aparentemente tísico,
Porém austral, pleno e sereno em outro Plano

Na chama do antigo alinhamento
Retornarei ainda milhares de vezes em fugazes andanças estelares
E Renascerei a cada nova conjunção
A cada momento do plural mistério.

Não tardará, no etério, haverá um derradeiro alinhamento
Um redentor refúgio, a mais linda conjunção,
A sublime união, enfim a última jornada das almas antes separadas
E Sete planetas teimosamente alinhados, entre Orion, Ursa Maior, Sirius, Pleíades e Antares...
Daqui a 400 anos... na calmaria cósmica dos mares:
Alinhamento que verterá a única menina da minha vida. Doce Presença!!!

A LUZ INTENSA de CRISTINA.
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