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Floradas de um Querubim
O início:

De repente, brotaram - do meu lombo petrificado - asas macias e aveludadas.
Do meu Eu, veio à tona um maravilhoso e taciturno anjo querubim;
De sobrancelhas douradas, rosto ovalado, olhos esverdeados, repletos de paz, halo celeste e uma lira apocalipta, prenunciando o fim
Eu, anjo querubim, vindo de um asteróide distante a 3 milhões anos luz, deste terceiro planeta, discursei para os tristes monstros da minha solidão.
O meu palanque foi o inacabado telhado de um prostíbulo. E as palmas???
Apenas uma tênue alegria feita de argamassa, onde coisas quebradas, ficou à esquiva, a minha alma alada...

No término da oratória, face à minha sonolência, adormeci nas praias da terrestre demência.
Sentindo as ondas da amargura humana e vendo o meu sangue azul escorrendo para o esgoto...
Acabei por descalçar minha aura de todos os bens materiais.
Por alguns minutos, minha voz chorou e meus olhos gritaram.
Vou retornar ao Etério, lá sou energia, pueril querubim!!!

O meio:

As nuvens outonais acariciaram meus milhares de olhos de cego de centopéia.
Fluiu a luminosidade infinita, mas carros esparsos fumegavam na avenida central.
O rei de outrora... coroa caída no canto esquerdo da enrugada testa, com a barriga roncando de fome e vestes de mendigo, ainda reuniu forças cósmicas, para sorrir e apontar-me um derradeiro caminho
Entre o vôo cego das crisálidas estelares, borboletas do infinito, surgiu uma bucólica alameda
Havia uma prostituta arrependida, filha de Madalena, que cantava cantigas de ninar, com olhar singelo de menina...
Eu, Anjo da florada dos querubins, olhava para este instante maravilhado... lá tão distante do meu chão lodoso de lótus.

O fim:

De repente, como se fosse um protonauta, um novo ícaro, vi minhas asas derreterem e os rouxinóis em revoada demarcarem o fim:

Da hipnótica jornada, êxtase místico escondido nos sótons e porões, ficou como folha de outono, meu último poema...
O último poema que, em meio à escuridão de um dia e ao amanhecer de uma velórica noite, os ventos solares teimaram em levar para lugar nenhum
E inutilmente escrevi na areia celestial versos que ninguém vai ler.
Apenas, os querubins recolheram as pétalas métricas, que reluziram atrás dos verdejantes montes.
A begônia floresceu e as Estrelas, por magia, por encanto, adormeceram ao perfume do jasmim.



Nota do autor: um momento sombrio de translucidez, em um Domingo de verão, janeiro de 2001 misturado a novembro de 1978, no encanto querubínico...

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